Bem Querer

velasAmarrada às próprias escolhas, passaria as festas de final de ano sozinha. Solidão acompanhada de parentes e amigos. Há pouco, escolhera novamente a segurança da relação reta. Tentava, aos poucos, reconstruir-se. Seus últimos anos foram vividos em meio às curvas sinuosas de um romance tórrido. Era pele e química, combinadas à vontade sem fim. Era um mantra de resgate e desgaste. Era prazer. E vício.

No último minuto daquele ano, lembrou-se do seu cheiro, da sua voz, do seu toque. Sentiu suas mãos, firmes e autoritárias, sobrepujando-na e o ouviu sussurrar em seus ouvidos. As memórias transportaram-na diretamente aos encontros de pura rendição, selados por beijos e entregas, em um cenário onde romance e luxúria disputavam-se. Pensou em arriscar tudo no novo ano e continuar o que meses antes interrompera. Ligeiramente bêbada pelos exageros da virada, sentou-se e escreveu:

“Hoje, tocada pelo amor e renovação que a data representa, pensei em te desejar muito. No entanto, a crítica que em mim habita brada em meus ouvidos e me confunde. Ainda em dúvida, passeio entre o “Feliz Ano Novo” – simbólico ou o silêncio traduzido em texto mental, mastigado diariamente em minha consciência – sofrimento. De tudo isso, há palavras que optei por guardar, em um gesto de preservação, e outras que não posso mais esconder – ainda te amo.”

Era mais do que um bem querer. Era para o seu bem. Foi sem querer.

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