Primeira Noite

noite

Primeira noite sozinha. Já se passaram quinze dias. O cenário é uma casa, de frente para o lago, com telhado triangular, comum em desenhos infantis. É verão e estamos ao norte. O calor vem da fogueira à minha frente. O céu está nublado, anunciando tempestade. As crianças finalmente dormiram, exaustas. Sobrou-me a solidão, tão acompanhada de mim, que mal percebo as sinfonias da natureza. Prazer. O fogo se ocupa da luz que invade meus pensamentos. Olho para dentro e vejo o que de mim precisei abandonar para ser o que precisava nesta jornada. Os dias de abnegação vem à memória para lembrar-me das doações de corpo e alma, tão necessárias aos laços humanos. A cada vinte e quatro horas o rumo do tempo deixa para trás mais um dia neste hemisfério. Olho novamente para cima. A força do vento empurrou as nuvens e o céu clareou. Naquele momento, a solidão e o fogo formaram o binômio do qual precisava. Em mim, apenas a enorme satisfação de me ouvir. Finalmente.

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