Na Estante

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Ele a amava loucamente. Como nunca amou. Mas não sabia.

Ele não sabia o que era amar. Não conhecia a entrega.

Era homem direito. Desses com “h” maiúsculo. Cuidava da família. Trabalhava. Sonhava em ter muitos filhos, uma casa bonita, um quintal onde as crianças pudessem brincar. Achava que isso bastava.

Ela era entregue. Tinha a vida pronta. Bem sucedida. Já conhecia o amor. Conhecia a dor. Mas não tinha medo.

Suas vidas se cruzaram.

Ele a tinha como uma boneca. Perfeita. Mas não para ele. A admirava, mas isso não era suficiente.

Riam juntos, dividiam problemas do dia a dia. Mas isso não era suficiente.

Um dia, ela achou que não ser suficiente não bastava, e se foi.

Ele a manteve onde sempre achou ser o seu lugar.

Em sua estante. Como um troféu.

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