Pela Fechadura

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Escutou um barulho peculiar que parecia vir do quarto ao fundo do corredor. Eram vozes que ora sussurravam, ora se exaltavam. Deu alguns passos em direção à porta que, cerrada, ocultava o que ali acontecia. Instinto e curiosidade se misturaram, orquestrados pela sinfonia que parecia lhe instigar, cada vez mais. Como uma menina e ignorando tudo o que lhe reprimiu no passado, olhou fundo pelo pequeno buraco abaixo da maçaneta. Não tardou a entender o que se sucedia. O coração bateu mais acelerado, inicialmente por medo. E então, por desejo. Não que nunca tivesse feito, mas não igual, não ali, não daquela forma. Quis entrar e tomar seu lugar, mas não teve coragem. Lá dentro, os dois percebiam apenas um ao outro e respiravam, vigorosamente, entre toques, mordidas e tudo o mais que lhes fosse permitido. Força e submissão, revezando-se entre os personagens que encenavam aquele ato libidinoso. Lá fora, ela olhava e vibrava na mesma sintonia. Sabia que faria melhor. Com mais intensidade e mais vontade. Ainda ali, em um ménage velado, perceberam-se alcançando o prazer. Todos.

Então, ao longe, ouviu-se um grito intimidador: “Ana! Onde estás?!” O casal, assustado, parou. E ela andou e depois correu em direção àquela voz grave, culpando-se pelo que viu. E recompondo-se pelo que não fez.

4 comentários sobre “Pela Fechadura

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